Rumo, do grupo Cosan, leva trecho da ferrovia Norte-Sul por R$ 2,7 bi

Valor representa ágio de 100,9%; leilão também contou com oferta da VLI, que tem Vale como sócia
SÃO PAULO – Com lance de R$ 2,719 bilhões, a Rumo, braço logístico do grupo Cosan, venceu o leilão do trecho central da ferrovia Norte-Sul realizado nesta quinta-feira na B3, em São Paulo. A proposta da Rumo representou um ágio de 100,9% em relação ao valor mínimo de outorga de R$ 1,3 bilhão estabelecido para o certame. Apenas a Rumo e a VLI entregaram propostas para arrematar o trecho, que é considerado importantíssimo para aumentar a matriz ferroviária do país.

A VLI, que tem como sócios a Vale, o fundo canadense Brookfield e a trading japonesa Mitsui, e que era considerada favorita pelo mercado, fez uma proposta de R$ 2,065 bilhões, ágio de 52,60% sobre o lance mínimo e acabou perdendo. Não houve a participação de empresas russas e chinesas, como chegou a ser cogitado.

O ministro da infraestrutura, Tarcísio Freitas, considerou excelente o resultado do leilão, superando a expectativa do governo.  Ele disse que esta foi a terceira semana com leilões de ativos do governo federal e em todos os certames a expectativa de resultado foi superada.

– Tivemos 100% de ágio neste trecho da Norte-Sul. É um dia histórico de retomada do setor ferroviário. Muito mais vai ser feito em ferrovias – disse Freitas, observando que a Ferrogrão e a ferrovia de integração Oeste Leste devem ser as próximas a irem a leilão.

Ele disse que quando o governo completar cem dias, pelo menos 23 ativos já terão sido concedidos à iniciativa privada, entre aeroportos, portos e a ferrovias. Na próxima semana, mais seis portos vão a leilão.

Há pelo menos 12 anos, nenhuma ferrovia brasileira era concedida à iniciativa privada. A última foi a própria Norte-sul, no trecho norte, que foi concedida à Vale. A Norte-Sul começou a ser concebida 34 anos atrás e dos 4,5 mil quilômetros previstos, apenas 1,5 mil estão em operação. O trecho que foi à leilão ontem deverá estar operando em dois anos.

Julio Fontana, presidente da Rumo, justificou o lance com ágio de mais de 100% dizendo que o trecho leiloado representa um “bom negócio, com muita sinergia com a Mallha Paulista”, que a empresa já opera e vai até o Porto de Santos. Ele acredita que além de grãos, combustíveis e bauxita, a Rumo aposta no aumento do transporte de cargas gerais pela ferrovia, através de contêineres.

– O transporte de carga geral cresce a um ritmo de 30% ao ano. É nossa grande aposta. Vamos levar produtos fabricados em São Paulo para os estados de Goiás, Tocantins e também para Brasília – afirmou.

Fontana disse que os recursos para o investimento de R$ 2,7 bilhões, além do pagamento da outorga, já estão garantidos e virão de crédito oferecido pelos bancos. O prazo da concessão é de 30 anos e, pelas regras do leilão, o vencedor terá que pagar 5% do valor da outorga e o restante em 120 parcelas trimestrais.

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