Haja Bolsonaro no cenário da política

João Doria (PSDB): %u201CSou filho de deputado cassado pela ditadura. Inaceitável. Infeliz o presidente Bolsonaro…%u201D


postado em 30/07/2019 04:00 / atualizado em 29/07/2019 22:41

(foto: Lucio Bernardo Jr./Camara dos Deputados %u2013 17/5/13 )
(foto: Lucio Bernardo Jr./Camara dos Deputados %u2013 17/5/13 )
As notícias políticas continuam a todo vapor monopolizadas pelo governo federal. O protagonista Jair Bolsonaro (PSL), presidente da República, cuida de criá-las. Ontem, por exemplo, partiu para o ataque ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil(OAB), Felipe Santa Cruz. “Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade”.
Bem, ouvir ele pode deixar para lá, já que basta ler nos sites de notícias as declarações que o próprio Bolsonaro revelou e foi em entrevista coletiva à imprensa: “Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”.
De verdade mesmo, o fato é que o presidente não desiste, insiste em liberar do garimpo na Amazônia e da exploração agrícola em plena floresta. “O Brasil vive de commodities, daqui a pouco o homem do campo vai perder a paciência e vai cuidar da vida dele. Vai vender a terra, aplicar aqui ou lá fora, e cuidar da vida dele. A gente vai viver do quê? O que nós temos aqui além de commodities?”.
O próprio Bolsonaro respondeu e tornou a emenda pior que o soneto. Faltou até com a educação e largou para longe o devido protocolo diplomático antes mesmo de receber o ministro de Negócios Estrangeiros da França, Jean-Yves Le Drian.
“Eu vou receber o premiê francês, se não me engano, para tratar de assuntos como meio ambiente. E ele não vai querer falar grosso comigo, ele vai ter que entender que mudou o governo do Brasil. Aquela subserviência que tínhamos no passado de outros chefes de Estado para com o Primeiro Mundo não existe mais.” Uma reação assim neste tom dispensa até alongar o assunto. Coisa feia, né, se não me engano?
Voltando ao início, à questão envolvendo o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil(OAB), Felipe Santa Cruz, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), se meteu no assunto, tucanando, como convém, embora tinha a própria família no caso. “Sou filho de um deputado cassado pela ditadura, que foi para o exílio e perdeu quase tudo durante esse período. Inaceitável. Foi uma declaração infeliz do presidente Bolsonaro.”
Diante de tudo isso, se tem ainda o Paraguai e a maior confusão por causa de Itaipu, o melhor a fazer é encerrar por hoje antes de levar um choque elétrico vindo da usina. Melhor esperar para ver se aparece uma luz para a questão entre os paraguaios.
Esqueça a semana
As discussões sobre uma saída para a crise financeira do estado ainda vão continuar a mobilizar a Assembleia Legislativa (ALMG), assim que forem retomados os trabalhos parlamentares, que estão marcados para depois de amanhã. É óbvio que nada de muito importante em dois dias de trabalho apenas. Mas a semana seguinte promete. E olha que a política vai começar em Brasília, todas as atenções ficarão voltadas para Brasília (DF).
Mas fique atento
Para deixar claro, 5 de agosto é a data marcada para a audiência de conciliação entre a União e 16 estados que reclamam a compensação de perdas relativas à aplicação da Lei Kandir, aquela de uma novela que não tem fim, mas pode, quem sabe, ser encerrada pelos ministros da mais alta corte de Justiça do país, no Supremo Tribunal Federal (STF). A caravana de deputados estaduais já está devidamente marcada.
Mais difícil
A expectativa para a volta aos trabalhos na Câmara dos Deputados, de acordo com o deputado Rodrigo de Castro (foto), é que a reforma da Previdência será aprovada em segundo turno, sem maiores problemas, diante da votação surpreendente que teve no primeiro. Tanto que ele já ressalta a necessidade de um cuidado maior de olho na reforma tributária. Cita duas divisões: as exigências da classe empresarial, em especial vinda de São Paulo do governador João Doria (PSDB), onde há disputa entre a indústria e o setor de serviços, e uma briga entre os estados, diante da posição dos governadores nordestinos, que sempre querem mais, já que têm arrecadação menor.
“Interdição”
“Estamos realmente num quadro de insanidade, das mais absolutas. Não é mais caso de impeachment, mas caso de interdição”, defendeu à Rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul, o jurista Miguel Reale Júnior”. Acrescentou ainda que: “Há mais de ano, dizia que quem fosse democrata não deveria votar em Bolsonaro”. Fez questão ainda de registrar que, quando o presidente ainda era deputado, discursou homenageando Carlos Brilhante Ustra, torturador do regime de 1964. Detalhe: Miguel Reale foi um dos autores do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
Pluripartidário
Há resistência, garantem os petistas. “Um grupo de 20 parlamentares do Cidadania, PSB, PDT e DEM se articula nos bastidores para aprovar a reforma em segundo turno somente se houver a exclusão de policiais e agentes de segurança, que receberam regras mais brandas”. A frase foi postada pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) se referindo à reforma da Previdência. Pegou carona e fez dobradinha com o colega de partido deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), um dos que lançaram a primeira pedra sobre a questão.
pingafogo
n Péssima notícia. “Em linhas gerais, o que estamos alertando é que, com esse modelo, a União sai prejudicada. Em vez de ser uma ferrovia de integração nacional, a empresa ganhadora do leilão transportará como quiser, sem concorrência, e concorrendo com os seus próprios usuários.”
n A frase é do presidente da Ferrofrente,  José Manoel Ferreira Gonçalves, e ele lembra que os governadores de Minas Gerais e Pará, além da senadora Kátia Abreu (PDT-TO), foram “contrários à concessão da ferrovia Norte-Sul neste modelo, já que é proprietária de empresas do agronegócio”.
n A juíza que substituiu Sérgio Moro na condução da Operação Lava-Jato da Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), Gabriela Hardt, atacou, desta vez, o ex-senador Edison Lobão (MDB-MA).
n Ela determinou o bloqueio de R$ 1,9 milhão de contas bancárias do ex-ministro de Minas e Energia pelo Banco Central (BC). Já muito encrencado, Lobão deve ter levado um choque diante da decisão que Gabriela Hardt (foto) tomou

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